quarta-feira, 8 de setembro de 2010


JESUS E TOLERÂNCIA
Em termos de psicologia profunda, a questão do julgamento das faltas
alheias constitui um grave cometimento de desumanidade em relação àquele
que erra.
O problema do pecado pertence a quem o pratica, que se encontra, a partir
daí, incurso em doloroso processo de autoflagelação, buscando, mesmo que
inconscientemente, liberar-se da falta que lhe pesa como culpa na economia da
consciência.
A culpa é sombra perturbadora na personalidade. responsável por
enfermidades soezes, causadoras de desgraças de vária ordem.
Insculpida nos painéis profundos da individualidade, programa, por
automatismos, os processos reparadores para si mesma.
Toda contribuição de impiedade, mediante os julgamentos arbitrários, gera,
por sua vez, mecanismos de futura aflição para o acusador, ele próprio uma
consciência sob o peso de vários problemas.
Julgando as ações que considera incorretas no seu próximo, realiza um
fenômeno de projeção da sua sombra em forma de autojustificação, que não
consegue libertá-lo do impositivo das suas próprias mazelas.
A tolerância, em razão disso, a todos se impõe como terapia pessoal e
fraternal, compreendendo as dificuldades do caído, enquanto lhe distende
mãos generosas para o soerguer.
Na acusação, no julgamento dos erros alheios, deparamos com propósitos
escusos e vingança-prazer em constatar a fraqueza dos outros indivíduos, que
sempre merecem a misericórdia que todos esperamos encontrar quando em
circunstâncias equivalentes.
*
Jesus sempre foi severo na educação dos julgadores da conduta alheia.
Certamente, há cortes e autoridades credenciadas para o ministério de
saneamento moral da sociedade, encarregadas dos processos que envolvem
os delituosos, e os julgam, estabelecendo os instrumentos reeducativos, jamais
punitivos, pois que, se o fizessem, incidiriam em erros idênticos, se não mais
graves.
O julgamento pessoal, que ignora as causas geradoras dos problemas,
demonstra o primitivismo moral do homem ainda “lobo” do seu irmão.
O Mestre estabeleceu a formosa imagem do homem que tem uma trave
dificultando-lhe a visão, e no entanto vê o cisco no olho do seu próximo.
A proposta é rigorosa, portadora de claridade iniludível, que não concede
pauta a qualquer evasão de responsabilidade.
Ele próprio, diante da multidão aflita, equivocada, perversa, insana, ao
invés de a julgar, “tomou-se de compaixão” e ajudou-a.
Naturalmente não solucionou todos os problemas, nem atendeu a todos,
como eles o desejavam. Não obstante, compadecido, os amou, envolvendo-OS
em ternura e ensinando-lhes as técnicas de libertação para adquirirem a paz.



Tem compaixão de quem cai. A consciência dele será o seu juiz.
Ajuda aquele que lhe constitui punição.
Tolera o infrator. Ele é o teu futuro, caso não disponhas de forças para
prosseguir bem.
A tolerância que utilizares para com os infelizes se transformará na
medida emocional de compaixão que receberás, quando chegar a tua vez, já
que ninguém é inexpugnável, nem perfeito.



JOANNA DE ANGELIS
*

Um comentário:

  1. Os animais são lindos, mas o seu coração é maravilhoso, por isso que te adoro tanto...

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